Sociedade e Comportamento

Ser mãe de adolescente ainda é uma jornada solitária

Publicado em: 05/05/2025
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Sem livros, sem rede de apoio e com muitos medos, mães de adolescentes atravessam uma fase fundamental da maternidade quase sem amparo. Na prática, ser mãe de adolescente é experimentar uma fase da maternidade praticamente esquecida pela sociedade. Há um “apagamento” dessa etapa da vida. Pouco são vistas, ouvidas e acolhidas. E são muitas as que enfrentam uma jornada que não pode ser solitária.

Quando os filhos nascem, não faltam livros, cursos, aplicativos, encontros, grupos de apoio e todo tipo de conteúdo para ajudar as mães a enfrentar os desafios do puerpério, da amamentação, das noites mal dormidas, das birras e da introdução alimentar. Curiosamente, quando os filhos crescem, esse suporte desaparece quase que por completo. Como se da noite para o dia, as mães dispensassem a necessidade de orientação, acolhimento e escuta.

Isso acontece porque as “crianças”, que não são mais crianças, não demandam mais que se levantem durante a noite para amamentar ou para trocar uma fralda. No entanto, por que a adolescência é tão desafiadora para as mães?

A verdade é que a maternidade não termina quando os filhos completam 12 ou 19 anos. A maternidade é como uma daquelas linhas cronológicas em paredes de exposições no museu, que entrelaçam biografia e obras do artista. O tempo passa, as fases mudam, mas continuam a exigir do “artista” sua presença, olhar, trabalho e dedicação.

Há uma insegurança frente a um mundo digital que avança a passos largos – redes sociais, aplicativos, jogos, influenciadores – e para o qual muitas mães não se sentem preparadas. Nesse ambiente digital, emerge o medo das influências externas sobre seus filhos: amigos, bullying, drogas, bebidas, escolhas afetivas.

Além do pânico diante das notícias de quadros de ansiedade, depressão, automutilação e riscos emocionais entre jovens. Tudo isso provoca incertezas nas mães sobre como agir para proteger e acolher sem invadir.

Outro fator que entra nessa equação é a culpa. Ser mãe de adolescente também é lidar com a cobrança de não ter feito o suficiente ou ter feito demais. Culpa por não conseguir manter a calma e não saber como ajudar. Em outras palavras, olhar para essa fase da maternidade é cada vez mais importante.

É preciso retirar as mães de adolescentes do limbo onde foram colocadas. Para isso, criar espaços de troca, produzir literatura acessível, oferecer formação a educadores e profissionais da saúde, abrir canais de diálogo entre gerações. Afinal, não existe um único jeito de ser mãe de adolescente – e ninguém nasce sabendo. Aprende-se com tentativas, erros, conversas e encontros. Mas para isso, é preciso criar espaços.

Se a maternidade é uma construção social e cultural, mães de adolescentes não podem ser esquecidas nessa etapa da vida. Porque ser mãe de adolescente é real, é difícil e merece ser levado a sério.

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Mães de adolescentes lidam com culpa, cobranças, angústias, inseguranças e solidão.

Precisamos falar sobre acolhimento, escuta e informação para esse momento da maternidade.