O que
adolescentes
e pais revelam
sobre o impacto
das redes na vida
20/04/2025 até 02/05/2025
O que as redes sociais estão organizando na vida adolescente hoje: conexão, pertencimento e apoio — ou comparação, pressão e desgaste emocional?
Estudo feito com base em questionário online com 1000 entrevistas.
mais detalhesO debate não é sobre
"usar ou não usar"
As redes sociais já ocupam um lugar central na experiência adolescente. Por isso, o debate mais importante não é decidir se adolescentes deveriam ou não estar ali. Eles já estão. A pergunta mais relevante é outra: o que essas redes estão fazendo com a forma como adolescentes se veem, se expõem, se vinculam e se sentem no mundo?
O estudo mostra um cenário ambivalente. As redes aparecem como ambiente de convivência, entretenimento, informação, estudo, apoio, exposição, comparação e exaustão. Elas acolhem e pressionam. Aproximam e desgastam. Fortalecem e desorganizam.
O tempo nas redes já
é vivido como excesso
O uso diário é alto e cresce entre os mais velhos, entre meninas e entre estudantes de escola particular.
Mas talvez o dado mais importante não seja apenas quantas horas adolescentes passam conectados. É o fato de que a maioria já considera esse tempo excessivo.
Isso significa que a crítica ao uso não vem só de fora. Os próprios adolescentes reconhecem o excesso. O problema, então, não parece ser falta de consciência, mas a dificuldade de interromper uma lógica em que sociabilidade, distração, atualização e pertencimento acontecem ao mesmo tempo na mesma interface.
O tempo de tela nas redes sociais, dos adolescentes de 19 a 24 é superior aos mais jovens, assim como meninas declaram ficar mais tempo em redes sociais.
tempo médio diário nas redes entre jovens de 19 a 24 anos. Entre 16 e 18 anos: 4,5 horas.
As redes são mais do que distração
Passar o tempo e buscar entretenimento aparecem com força, mas não sozinhos. Conversar com amigos e família, acessar notícias, estudar e até trabalhar entram no repertório de usos.
Pais acreditam que filhos estão estudando, jogando e seguindo influencers mais do que estão na realidade
Isso é relevante porque mostra que o ambiente digital condensa funções que antes estavam mais separadas.
Autoestima: entre apoio e comparação
As redes influenciam a autoestima em mais de uma direção. Parte dos adolescentes reconhece efeitos positivos, seja por encontrar grupos de apoio, seja por sentir mais conforto com seu jeito e aparência. Isso não é secundário. Para muitos jovens, a internet pode funcionar como espaço de reconhecimento e identificação.
Mas os efeitos negativos aparecem com força e de maneira desigual. Meninas e pais percebem com mais intensidade o impacto negativo das redes sobre a autoestima. Mais de 60% dizem se comparar com amigos ou influenciadores.
afirmam se comparar com amigos ou influenciadores.
Esse comportamento é mais acentuado entre meninas e entre os de 19a 24 anos
Sentem com mais intensidade
- Meninas
- Pais
- Escola particular
Cerca de 1 em cada
3 relatam
- Vida dos outros parece melhor
- Impotência diante do conteúdo
- Pressão estética
Cerca de um terço relata sentir que a vida dos outros parece melhor, experimentar impotência diante da quantidade de conteúdo ou viver pressão estética.
O custo emocional da conexão permanente
Quase metade dos respondentes relata perder a noção do tempo nas redes a ponto de isso gerar ansiedade e atrapalhar atividades da vida real. Esse é um dos achados mais importantes da pesquisa. A ansiedade não aparece só pelo conteúdo, mas também pela incapacidade de interromper o fluxo, concluir tarefas e se desligar da lógica da atualização contínua.
Em média 46% tem claro que muito tempo nas redes sociais, interfere nas atividades da vida real e causa ansiedade. A sensação de não conseguir realizar tarefas importantes pode gerar estresse e preocupação.
1/3 acredita que emergem sentimentos de inadequação e baixa autoestima ao se compararem com versões idealizadas de outras pessoas.
Também 1/3 acredita que a quantidade de conteúdo nas redes sociais, gera a sensação de incapacidade diante de tantas informações e sentimentos de impotência e desorientação.
Os efeitos físicos e emocionais aparecem com clareza: dificuldade de concentração, dor de cabeça, cansaço visual, ansiedade, estresse, cansaço e sensação de vazio. Entre meninas, jovens mais velhos e estudantes de escola particular, alguns desses impactos se intensificam.
Veja mais publicações sobre os efeitos físicos e emocionais relatados
Exposição, receio e autocensura
Uma parcela expressiva já deixou de postar algo por receio de julgamento, críticas ou cancelamento. Isso mostra que as redes não são apenas lugar de expressão, mas também de autocensura.
O adolescente aprende a administrar risco social o tempo inteiro: o que pode mostrar, o que deve esconder, como isso será interpretado, quem vai reagir, quem vai criticar.
Os filtros aparecem justamente nesse ponto. Seu uso é frequente, sobretudo entre meninas e jovens mais velhos. Mais do que um jogo estético, eles surgem muitas vezes como recurso de segurança para se expor, reduzindo a sensação de vulnerabilidade diante de um ambiente percebido como julgador.
WhatsApp e a nova
ansiedade da espera
A expectativa de resposta rápida é alta, especialmente entre os mais jovens. Quando ela não vem, não surge apenas impaciência. Surgem perguntas sobre rejeição, prioridade, raiva, jogo emocional e valor pessoal.
Embora parte tenha a compreensão de que a pessoa não pode responder, e em parte dos adolescentes desencadeia sentimentos de rejeição, de forma mais intensa entre os mais jovens.
O silêncio digital, mesmo quando banal, passa a ser interpretado afetivamente. Isso significa que a tecnologia não alterou apenas a velocidade da comunicação. Alterou também a forma de sentir a espera.
Ficar sem celular é
perder só o aparelho?
A resposta da pesquisa é não. Ficar sem o celular por um dia desencadeia mais sensações negativas do que positivas. Tédio, ansiedade, sensação de estar perdendo algo, infelicidade e solidão aparecem com força. Isso mostra que o aparelho já não é apenas um objeto funcional. Ele é mediador de presença, continuidade social e percepção de pertencimento.
Ao mesmo tempo, há nuances importantes. Meninos aparecem mais associados a sensações como alívio, liberdade e relaxamento quando pensam em ficar sem celular. Isso sugere que a experiência digital não pesa do mesmo modo para todos.
Há risco, mas também há comunidade
Seria um erro ler este estudo apenas pela chave do dano. Muitos adolescentes participam de comunidades online sobre fandoms, educação, jogos, apoio emocional, literatura, carreira e outros temas. Entre os mais velhos, esse engajamento é ainda maior.
Isso revela que a internet também pode funcionar como espaço de afinidade, troca e reconhecimento. O problema não é a existência dessas comunidades, mas a ausência de mediação para que a experiência digital não se converta em sobrecarga, comparação permanente ou vulnerabilidade excessiva.
Comunidades
online relatadas
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01
Fandoms
-
02
Educação
-
03
Jogos
-
04
Apoio emocional
-
05
Literatura
-
06
Carreira
-
07
Outros temas
O que os adultos ainda não
compreendem completamente
Os adultos percebem parte dos riscos, sobretudo os impactos negativos sobre autoestima e bem-estar, mas ainda observam esse ambiente mais de fora do que por dentro. Já os adolescentes parecem perceber com mais nitidez sua ambivalência: sabem que as redes ajudam, mas também sabem que cobram. Sabem que conectam, mas também cansam. Sabem que ampliam o mundo, mas também estreitam o valor pessoal à lógica da visibilidade e da comparação.
Dados e números
Fechamento
As redes sociais são hoje um dos principais ambientes de produção de vínculo, imagem e valor social na adolescência. Por isso, seu impacto não pode ser reduzido a “tempo de tela”. O que está em jogo é a forma como adolescentes constroem autoestima, pertencimento e presença em um ambiente que mistura acolhimento e pressão o tempo todo.
O problema não é que adolescentes estejam nas redes. O problema é quando a sociedade delega a elas funções de espelho, vínculo e validação que ela mesma deixou de sustentar com presença, escuta e mediação.