Adolescentes provocam tormentas, mas eles não são um tormento
É natural que pais e mães enxerguem a adolescência dos filhos como uma tormenta, mas tratar a fase desta maneira só reforça um estereótipo pesado demais para ser carregado pelos adolescentes. E se fosse possível olhar para esses jovens por um viés mais gentil e afetuoso? Afinal, eles podem até provocar tormentas, mas eles não são um tormento – e precisam saber disso.
Para além dos momentos de mau humor, de não querer falar, de trancar a porta do quarto e não compartilhar informações sobre a vida, os adolescentes podem mostrar outros ângulos, inclusive, mais amorosos. O problema é que, na maior parte das vezes, os adultos não conseguem enxergar além dos estereótipos negativos que carregam.
A adolescência pode até provocar tormentas, mas a sociedade não pode estigmatizá-la como “tormento”. Lembra da cena em que todo mundo chora – em filme ou propaganda –, quando os flashes de memória de uma mãe com o filho pequeno aparecem? Primeiro, o bebê chorando no colo, depois a mãe medindo a altura da criança na parede e em seguida, acolhendo o filho quando ele perde no judô.
Essas imagens transportam uma mãe de adolescente a olhar para aquele ser, muitas vezes irreconhecível, e reconhecê-lo novamente. Trazem à tona a recordação de uma maternidade “doce” e “amorosa”, totalmente oposta da maternidade da adolescência. Então, é bom refrescar a memória: quem nunca viveu a tormenta de uma criança aos três anos de idade fazendo birra e se jogando no chão?
Socialmente, somos ensinados a olhar a adolescência como uma fase de turbulência, de tormentas, reviravoltas e disputas. Ensinados a associar o adolescente a um problema. Adolescentes são “chatos” e “mau humorados”. Eles são “aborrecentes”. Mas o que mais é possível dizer sobre a adolescência?
A adolescência é um tabu que precisa ser quebrado
Os desafios de criar um filho adolescente certamente existem, mas esta mesma fase é cheia de momentos bons e felizes. Está na hora de quebrar o tabu pelo bem dos filhos, pelo bem dos pais e da própria sociedade. Passar cerca de dez anos fazendo reclamações constantes deste ser que, na maioria das vezes, foi desejado e planejado não parece fazer muito sentido.
E ainda que se diga não reconhecer mais aquele bebê fofo que outro dia estava engatinhando pela sala, acredite, ele está aí, bem na sua frente. Mas é importante estar disposto a quebrar estigmas e não desistir quando entram na “idade da ilha”. Também é preciso rasgar uma lista de reclamações.
Na internet, uma quantidade exacerbada de publicações reforçam como os adolescentes são “chatos” e como trazem problemas. Também disseminam uma enxurrada de reclamações sobre o que eles não fazem e, se fazem, como fazem errado. Será que a adolescência é tão insuportável como as mídias sinalizam? Ou será que a família também precisa aprender a se relacionar com o adolescente?
Ser pai e mãe de um adolescente é uma conversa possível. No entanto, é preciso estar tão disponível quanto se estava quando esta mesma pessoa era um “toquinho de gente” e você, ainda que exausto, dava conta de todas as demandas, choros, cólicas e ataques dele. Afinal, o maior desafio de criar filhos adolescentes não é lidar com todas as queixas que rapidamente são elencadas, mas se colocar à disposição de estabelecer um diálogo. Sim, existe uma conversa que é possível, mas a maioria dos adultos ainda não está disponível.
Abrir espaço para fortalecer a relação entre pais e filhos
Quando foi a última vez que você deu colo para o seu adolescente? Não vale dizer que ele não gosta. Afinal, existem muitas formas de dar colo. Já pensou em fazer um elogio à música que ele escuta? Que tal assistir às séries que ele gosta? Ou, quem sabe, elogiar alguém que ele admira. Já pensou em elogiar seu filho? Tudo isso também é carinho.
A adolescência provoca muitas tormentas não só em mães e pais, mas nos próprios adolescentes. Esse alguém que cresceu diz o que pensa, tem vontades próprias, mas nem sempre vai abraçar e dizer que ama – ainda que ame profundamente – seus pais. É que crescer carrega uma revolução imensa. Portanto, ao contrário de reforçar estereótipos, a sociedade precisa rompê-los. Só vai ser diferente se todos fizermos diferente.
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Está na hora de quebrar tabus sobre a adolescência.
O maior desafio de criar filhos adolescentes não é lidar com todas as queixas que rapidamente são elencadas, mas se colocar à disposição de estabelecer um diálogo.